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Você certamente já ouviu falar sobre os alimentos integrais. Com certeza você sabe que eles são indicados para quem almeja ter uma alimentação mais saudável e manter o peso ideal. Eles são nossos aliados pois, diferentemente dos alimentos refinados, são absorvidos pelo nosso organismo de uma maneira mais difícil, contribuindo assim para acelerar o nosso metabolismo e nos prevenindo de algumas doenças. Esse processo se dá através da grande concentração de nutrientes
que eles contêm, já que não passam pelo mesmo processo de industrialização.

Suspeito que você não tenha ainda ouvido falar sobre os afetos integrais. Não se espante. Você não é o único. Mas o que viria a ser afetos integrais? Explico. Nossa sociedade, desde o advento da revolução industrial, mudou de forma categórica a forma de enxergar a vida como um todo. Junto com a revolução industrial, veio a modernidade que colaborou para uma crença maior na ciência e um certo desmérito a religião. Como o meio de produção deixou de ser artesanal, sendo agora industrializado, fomos contagiados por esta cultura da rapidez e da praticidade. E essa cultura passou a ser referencial para as nossas relações.

Hoje queremos que nos nossos relacionamentos tudo seja muito rápido. Nada que dê trabalho ou seja lento, estamos dispostos a esperar, a investir tempo e dedicação. Se uma amizade hoje não atende as nossas expectativas, logo damos um jeito de desfazê-la e buscamos outra que nos satisfaça. Para a maioria é algo simples. Se uma amizade lhes convém, ótimo. Se não, basta clicar no botão do Facebook e desfazê-la. Namoro. Casamento. Família. Nos deu dor de cabeça? Pulamos fora! Descartamos igual fazemos com os bens não-duráveis produzido pela indústria. Afinal, não nos faltam opções. Basta acessarmos os aplicativos de namoro e sites de relacionamento e rapidinho trocamos de pessoas assim como trocamos de roupa íntima.

O que não paramos para pensar ainda é que da mesma maneira que descartamos o outro, também somos descartados. E nesse círculo nocivo e vicioso que estamos vivendo, vamos criando uma casca dura que nos protege do amor e todas as suas nuances. Vivemos de afetos refinados, sem cores, sem gosto, sem sustância. Posamos nas redes sociais uma vida feliz, mas por dentro estamos
amargurando nossos fracassos, desilusões e solidão.

Para o Evangelho, isso não é nenhuma novidade pois o próprio Jesus falou que no fim dos tempos o amor de muitos esfriaria. Mas uma coisa que nós cristãos não podemos nunca nos esquecer. Ele disse que o amor diminuiria, mas que não acabaria. Somos convidados diariamente por Cristo a mantermos viva a chama do amor em nós. Não um amor que se limita apenas no meu relacionamento com Ele, mas num amor que me reconecta com o próximo, que me faz entender que o que dá sentido a nossa vida é o amor e que o mesmo não pode ser vivido de qualquer forma. Devemos vivê-lo de maneira plena, de maneira integral.

Simplesmente ame.

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“Eu tenho andado tão Sozinho

Ultimamente

Que nem vejo à minha frente

Nada que me dê prazer

Sinto cada vez mais longe

A felicidade

Vendo em minha mocidade

Tanto sonho perecer

(…)

Às vezes saio a caminhar

Pela cidade

À procura de amizades

Vou seguindo a multidão

Mas eu me retraio olhando

Em cada rosto

Cada um tem seu mistério

Seu sofrer, sua ilusão…”

 

Esta canção de nome “Casinha Branca” é de uma beleza incomparável. No entanto, é também de uma tristeza só. Nos trechos citados, o autor relata uma existência vazia de esperança. Este relato é muito comum a nós. Certamente você conhece alguém que leva a vida assim, ou quem sabe, você mesmo tem vivido assim.

A falta de esperança é mais comum do que a gente imagina. Ela se instala em nós de maneira imperceptível. Um fracasso aqui, uma frustração ali, e o acúmulo disto gera em nós um estado de letargia diante da vida. Quando menos percebemos, estamos parados no tempo e chega um momento em que diante do espelho nos perguntamos: esta é realmente a vida que eu quis para mim?

Acho que reconhecer-se neste estado já é um bom começo. Outra coisa, não podemos nos penalizar tanto assim por vivermos apáticos em relação ao futuro. Se olharmos ao redor, perceberemos que nossa desesperança não é sem motivo. São muitos os motivos que nos privam de viver esperançosamente. Dentre eles, podemos citar: crise ética da política brasileira, injustiça social, falta de segurança, precariedade na saúde pública, relações afetivas de extrema liquidez, afetos virtuais, valores invertidos, dificuldades financeiras, desencanto com a religião, enfim, a lista é grande, muito grande.

No entanto o meu convite hoje a você é tentar te propor uma forma de repensar e reinventar a sua esperança. Eu particularmente acredito que viver com esperança não seja uma opção, e sim uma questão de sobrevivência. Ou eu realmente busco encontrar dentro de mim motivos para olhar a vida com mais beleza e encanto, ou eu estarei fadado a tornar minha existência em algo sem sentido, sem valor. Não se engane! São muito os motivos que podem nos fazer desistir e se não tivermos revestido a nossa alma de esperança em dias melhores, viveremos amargurados, azedos e solitários. E não há quem goste de estar próximo de pessoas assim.

Considero que trabalhar em prol de tornar nossa vida mais leve e bela, é tão vital quanto a necessidade que temos de nos alimentar, beber e dormir. Se não fizermos isso, morreremos. Quantas pessoas hoje em dia parecem verdadeiros zumbis. Vivem por aí feito verdadeiros mortos vivos.

Não tenha medo de revisitar suas frustrações e fracassos. Não tenha medo de mexer naquela ferida que ainda não cicatrizou. Vá! Busque reescrever sua história. Faça desses momentos dolorosos um momento de ressureição. Existe sim uma outra versão para sua vida. Existe sim um novo caminho a ser trilhado. Existe sim um novo plano a ser gerado e seguido. Existem outras opções. Não nascemos destinados a nada. Não fomos criados para vivermos condicionados a situações que nos oprimem e nos roubam a felicidade. Reinvente sua esperança. Busque por ela.

Em meio a todo este caos, ainda existem pessoas que acreditam que um mundo melhor é possível. Se você está lendo este texto, é por causa da existência de alguém assim. Alguém que não deixou de acreditar no amor, na felicidade, na paz, na amizade, na solidariedade, na fé, na sinceridade, na honestidade… E eu não sou o único. Ainda existe muita gente de alma grandiosa e bela que vale a pena estarmos próximos. Nem tudo está perdido. Volte o seu olhar para aqueles que estão buscando fazer da sua existência algo significativo.  

Faça da sua esperança uma forma de resistência a tudo de ruim que existe no mundo. Faça dela um enfrentamento ao mal. Não se permita ser convencido de que o mal impera sobre o bem. Isto nunca existiu e nem vai existir. Se assim fosse, nós já teríamos nos destruído. Portanto, faça da sua esperança uma bela teimosia, uma bela rebeldia a tudo que não gera vida dentro de você. Acredite que o amanhã pode ser diferente e melhor.

Esta perspectiva não é a mesma que o otimista vive. O otimista finge não ver a realidade. Já o esperançoso é ciente da realidade angustiante, mas sabe que esta realidade pode ser modificada, e luta para modificá-la. Seja você também alguém que acredita e luta por dias melhores. Seja também alguém que inspira outros a fazer o mesmo.

E se você é cristão e crer na ressureição de Jesus, lembre-se, existe sim esperança para todos. A última palavra está com aquele que venceu a morte.

Jesus Cristo!

Por fim, deixo-vos com uma belíssima canção chamada “Esperança” da banda Aliados, canção esta, que tem sido um verdadeiro hino para a minha vida.

 

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