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– (…)E essa é a grande novidade que precisamos anunciar as pessoas. Deus é amor. Amor incondicional. A todos. Até mesmo àqueles ­que não podem adentrar os umbrais dos templos. Os que estão justificadamente apartados da pertença comunitária.

– Mas isso é revolucionário.

– Sim. Estamos falando de revolução. Toda autoridade religiosa precisa estar fundamentada nesse anuncio. Deus é amor. E só quando somos envolvidos por esse amor revolucionário é que podemos obedecer verdadeiramente aos seus preceitos. Só quando esquecemos a lei é que aprendemos o que é o amor.

– Suas palavras são perigosas não acha?

– A palavra que propõe liberdade será perigosa a qualquer tempo e lugar, meu caro. Não basta convocar o povo a obediência sem antes apresenta-lo ao coração da lei. E o coração da lei é o amor de meu Pai. Para isso estou aqui. Para viver com radicalidade o perigo destas palavras. Se quiser me seguir, terá de assumir o mesmo risco. Não é possível evoluir sem transgredir. Essa palavra é transgressora, sim, pois coloca em questão o que os mestres da lei nos ensinam no templo. Se o ser humano não for apresentado ao amor de Deus, nunca será capaz de obedecer livremente.

– Mas e os que obedecem condicionados? Não há valor nessa obediência?

– A questão não é bem essa, meu caro. Não se preocupe com isso. Deus sabe ler todos os corações. Ele será justo. (…) Mas há um prejuízo humano inegável no que obedece sob as rédeas do condicionamento. Fica privado de saborear a obediência amorosa. (…)

– E como podemos diferenciar os obedientes livres dos condicionados?

– Identificamos a alegria com que servem a Deus. A experiência do amor de Deus nos faz felizes, realizados, ainda que mergulhados nas misérias do cotidiano. E então estaremos desobrigados dos fardos da pertença religiosa. Será natural em nós viver as regras divinas.

– Mas esse é um itinerário difícil de ser alcançado, não acha?

– Sim. O desafio é grande. Mas precisamos encaminhar o povo ao conhecimento dessa verdade. O amor que recebemos do Pai nos faz amar também. A liberdade que alcançamos nos faz libertar também. E assim o ciclo nunca terá fim. Porque sou amado, amo. Porque sou perdoado, perdoo. Porque sou libertado, liberto. Porque estou saciado, sacio. Porque estou esclarecido, esclareço. Veja bem. O dom recebido se desdobra em serviço. Essa nova maneira de entender as preferências divinas é revolucionária. O amor que Dele você recebe não pode enchê-lo de vaidade, mas de responsabilidade…

 

Trecho extraído do Livro “O Discípulo da Madrugada” do Pe. Fábio de Melo.

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