mosca-e-formiga

Traição é assunto sério. Traição tem gosto amargo. É duro de engolir. Seria cômico se não fosse trágico , mas traição é igual consórcio. Se você ainda não foi contemplado, um dia certamente será.

São tantas traições, tantas dores. De fato, é muito duro ser traído, ser jogado fora, enfim, sentir-se usado. Pessoas que diziam te amar e não amaram, diziam ser comprometidos com você, mas infelizmente não eram. É pesado demais na vida termos que admitir que o outro banalizou o nosso território. Vivemos na era do descartável. Muitos hoje em dia descartam os outros com muita facilidade. As relações afetivas são trocadas muito facilmente. São várias as traições. São pais traindo filhos, filhos virando as costas aos pais na velhice, amigos se distanciando de amigos em momentos em que o outro mais necessita de sua companhia, esposos e esposas, noivos e noivas, namorados e namoradas, enfim, fidelidade hoje em dia está cada vez mais raro.

E sabe qual o principal motivo da dor da traição latejar tanto dentro de nós, é que a traição só ocorre por pessoas que amamos e confiamos. Quem a gente não confia e não ama, suas maldades não nos afetam tanto como as de quem temos grande estima.

O fato é que, a pior traição que podemos receber na vida não é a que o outro nos faz, mas a que fazemos com nós mesmo. Quando permitimos que a dor da traição doa em nós mais do que deveria, quando não pomos fim ao luto, quando relativizamos o nosso valor como ser humano, e quando pagamos na mesma moeda, estamos sendo traído duas vezes. Além da traição do traidor, temos a principal e mais maléfica, a nossa.

É comum acharmos na hora da traição, que temos a maior parcela de culpa. Subestimamos de maneira tão triste a nossa integridade. Achamos que não fomos bons o suficiente para o outro querer permanecer do nosso lado, achamo-nos indignos do amor do outro e assim vamos cavando a nossa própria sepultura.

Amigo leitor, tudo isso que escrevo, eu já vivenciei, mas hoje eu descobrir uma verdade inegociável que levarei comigo para toda eternidade.

Primeiro, numa relação afetiva em crise, ambos sempre têm uma parcela de culpa, no entanto nada justifica a traição. Traição tem a ver com caráter, não com erros dos outros. Não se resolve um erro cometendo outro. A traição é tão prejudicial ao casal, que até os ensinamentos bíblicos nos garantem direito ao divórcio e não nos pede que permaneçamos na relação.

Segundo, após termos compreendido que não somos culpados pela traição do outro, não podemos permitir que a traição venha pôr em dúvida quem nós realmente somos. Entenda de uma vez por toda que, mesmo com todos os nossos defeitos, temos virtudes e belezas intrínsecas a nós e que se o amor do outro não estava preparado ou amadurecido o suficiente para perceber isso em nós não é culpa nossa. Que o outro parta então, e vá em busca de valores que o deem sustentabilidade em suas relações e em sua própria vida. Não somos obrigados a carregar uma cruz que não é nossa.

Enfim, gostaria de evidenciar o aspecto mais importante deste texto. Antes de pertencer a alguém, seja seu primeiro. Ama-se. Mesmo com todos os defeitos, ame-se e verás que a vida se encarregará de colocar alguém em sua vida que esteja disposto a viver um amor com respeito e fidelidade.

Uma das mensagens mais belas transmitidas por Jesus aqui na terra é que nada está fechado, determinado ou imutável. Todos os dias podemos recomeçar e reescrever nossa história. A ressureição de Cristo é a prova disso. Morte nenhuma tem palavra final em nossa vida.

Se você está enfrentando isso no momento, siga o exemplo da cigarra que passa um ano debaixo da terra, mas que quando sai de lá mostra a todos de maneira belíssima que seu sofrimento gerou algo belo, que dinheiro nenhum no mundo pode comprar.

Recomece!

Renasça!

Ressuscite!

Seja vitorioso!

“Tantas vezes me mataram
Tanta vezes eu morri
Mas agora estou aqui
Ressuscitando

Agradeço ao meu destino
E a essa mão com um punhal
Porque me matou tão mal
E eu segui cantando

Cantando ao sol
Como uma cigarra
Depois de um ano em baixo da terra
Igual a um sobrevivente
Regressando da guerra

Tantas vezes me afastaram
Tantas reapareci
E por tudo que vivi
vivi chorando

Mas depois de tanto pranto
Eu aos poucos percebi 
Que o meu sonho não tem dono
E segui cantando

Cantando ao sol 
Como uma cigarra 
Depois de um ano em baixo da terra
Igual a um sobrevivente
Regressando da guerra

Tantas vezes te mataram
Tantas ressuscitarás
Tantas noites passarás
Desesperando

Mas na hora do naufrágio
Na hora da escuridão
Alguém te resgatará
Para ir cantando

Cantando ao sol 
Como uma cigarra 
Depois de um ano em baixo da terra
Igual a um sobrevivente
Regressando da guerra”

“A Cigarra” – Renato Teixeira.

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