sexo na biblia

 

“O antigo testamento proíbe o comportamento homossexual apenas em termos de seu papel cultural, cúltico e ritualístico negativo em Israel e em seus vizinhos.Além disso a proibição se enquadra dentro de um contexto que (1) iguala o ato juntamente com o relacionamento sexual com uma mulher durante seu período menstrual, uma regra que não é geralmente considerada obrigatória hoje, (2) identifica a prática com o comprometimento da distinção religiosa em relação aos cananeus, uma questão não mais relevante no século XX, e (3) proíbe o ato em casos de violação das exigências culturais de hospitalidade, um problema dificilmente relevante para a questão contemporânea. Além disso o A.T. se coloca contra toda forma de comportamento que viola outro ser humano, um comportamento solidamente condenado atualmente na cultura ocidental independente se for sexual e independente do gênero ou orientação das pessoas envolvidas.
(…)
 
Existe um corpo crescente e convergente de evidências empíricas de que a orientação homossexual é tão natural e tão congenitamente predeterminado (inato) para a pessoa homossexual quanto é para a pessoa heterossexual.Isto significa apenas então, sob as afirmações de Paulo, que uma pessoa homossexual não pode ir contra sua natureza homossexual (…) no próximo século, ficará evidente que se o argumento de Paulo em Romanos 1 se agarra a noção de que é errado que a pessoa vá contra sua natureza, ele corta dos dois lados e é uma garantia sólida tanto para o comportamento homossexual saudável quanto é para o comportamento heterossexual saudável.
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Se isto sugerir a alguns que a perspectiva bíblica se parece muito com a ética situacional, deve ser observado que Jesus fez uma defesa bem ampla da ética situacional sendo o centro da forma cristã. O sábado havia sido criado para as pessoas, e não as pessoas para o sábado, ele pensava, e desta forma, as leis relacionadas ao sábado deveriam ser interpretadas de modo a acomodar a realidade da necessidade humana como ela se desenvolveu nas mudanças de tempo e cultura. A tendência de Jesus era que qualquer comportamento legítimo deveria ser um comportamento de cura que aprimorasse o crescimento e o bem estar humano.
 
Jesus constantemente deixou de lado princípios, precedentes e tradições para agir em favor do que curava uma pessoa específica, em uma situação específica em um momento específico. Claramente este era seu princípio! Seu perdão a mulher adúltera em João 7-8 ao invés de seguir a lei que exigia seu apedrejamento é um exemplo dramático em questão.
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Parece bastante evidente que na Bíblia o comportamento homossexual não é a ordem natural da criação. Entretanto, isto não está em questão. A questão na verdade é o problema se a pessoa homossexual que se encontrar nesse estado deve ser privada de sua completude que é oferecida e aprimorada pela comunhão sexual, alimentação espiritual e emocional, afeição e apreciação.
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Um imperativo consequente dessa perspectiva bíblica é que a igreja e as comunidades seculares ofereçam as pessoas homossexuais os mesmo ritos de passagens, ritos de afirmação e oportunidades para status e promoção que as pessoas heterossexuais gozam. Isto incluiria pelo menos as liturgias de casamento para relações sérias, exclusivas e completas; oportunidades regulares para papéis profissionais; e ordenações ao ministério religioso.
 
Nossa cultura e nossas igrejas devem adotar a única posição responsável sobre a homossexualidade, a saber, que ela é tão normal para uma pessoa homossexual quanto a heterossexualidade é para uma pessoa heterossexual e, portanto os homossexuais precisam e merecem as mesmas prerrogativas de afirmação, amor, comunhão sexual e oportunidades socioculturais como todos os demais seres humanos. Esta graça e bondade que devemos as pessoas homossexuais agora estão muito atrasadas. O prejuízo que temos causado as pessoas homossexuais tem sido um abuso infame, freqüentemente levando a pessoa homossexual para fora da corrente sexual saudável rumo a promiscuidade e ao mundo destrutivo do isolamento, do segredo, ou mesmo as sombras mais escuras da sociedade.”
 
Textro extraído do Livro “Sexo na Bíblia – Novas Considerações” do teólogo, pastor e professor J. Harold Ellens.
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